Projeto sobre educação sem uso de castigos corporais foi debatido em fórum em Salvador

"As famílias podem banir o castigo físico na educação das crianças brasileiras"
“Precisamos aprovar leis que fomentem a cultura de paz” defendeu a deputada federal Alice Portugal (PCdoB) no Fórum de Debates sobre o Projeto de Lei 7672/10, que trata sobre educação sem uso de castigos corporais, realizado na segunda (28/11), no plenário da Assembleia Legislativa da Bahia. O evento foi organizado pelo mandato da deputada Alice Portugal e contou com a parceria da deputada Kelly Magalhães (PCdoB-BA). O Projeto tem por objetivo criar uma lei educativa e pedagógica, voltada para a proteção da criança. “As famílias podem banir o castigo físico na educação das crianças brasileiras”, afirmou Alice.
A deputada destacou que o Fórum foi um momento enriquecedor para o debate e que irá contribuir muito com o relatório final da deputada Tereza Surita (PMDB-RR), relatora do PL. Para ela, o fundamental é conseguir fortalecer a rede de apoio a criança, por meio das alterações que serão inseridas no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), proporcionando assim bases legais para uma cultura de paz em nosso país.
“Não queremos mais ouvir e ver notícias sobre castigos físicos e violências contra as crianças. É preciso preparar o Brasil pra um tempo de paz, de respeito às pessoas, independente de idade e/ou qualquer outra diferença. Somos diferentes, mais somos iguais”, assinalou.
Durante o evento a deputada voltou a defender a profissionalização dos agentes de menor no Brasil, nos mesmos moldes dos agentes comunitários de saúde. “Esta rede de cuidadores pode contribuir com informações sobre as condições de educação, saúde e, principalmente, a qualidade do cuidado com as nossas crianças. Tais profissionais podem ser repetidores, sejam eles agentes ou comissários”, disse.

"As crianças são vítimas de uma cultura de violência, sendo violentadas com a conivência e o silêncio de vizinhos e familiares".
A promotora pública Márcia Guedes, do Centro de Apoio Operacional as Promotorias de Justiça da Infância e Juventude, órgão ligado ao Ministério Público da Bahia, apresentou números preocupantes em relação aos maus tratos e castigos contra crianças no estado. De janeiro/2011 a outubro/2011 foram registrados, por meio do disque 100, 2.924 casos de castigos corporais e de maus tratos contra crianças, principalmente, no seio familiar. “As crianças são vítimas de uma cultura de violência, sendo violentadas com a conivência e o silêncio de vizinhos e familiares”.
Márcia Guedes aponta a necessidade urgente da aprovação do projeto de Lei 7672/10, como também, a celeridade do poder público em garantir o “suporte e assistência psicossocial para as crianças e familiares”.
A pediatra Rachel Niskier Sanches, da Rede Não Bata Eduque, afirmou que os adultos não devem descontar nas crianças os problemas do dia a dia. “Educar é difícil. É preciso buscar alternativas pedagógicas”, disse. A Rede Não Bata Eduque tem como missão trabalhar o discurso de que é possível educar sem bater. “Esta é a lei da esperança, uma lei da educação familiar”, concluiu.
A deputada Lilian Sá (PSD-RJ), primeira vice-presidente da Comissão Especial que analisa o projeto, disse que a proposta é criar uma cultura de educação positiva. “Queremos apenas que os pais saibam que existem limites para educar, não é preciso bater, é possível educar com diálogo”, ressaltou. Lílian disse que conta com as contribuições para emendas, de forma a enriquecer ainda mais o projeto, além de contar com o apoio do povo baiano para aprovação do projeto.

“É preciso estabelecer limites para os educadores, como também criar referências positivas para as crianças"
Já deputada Teresa Surita (PMDB-RR), relatora do PL, destacou que a lei trata do relacionamento entre adultos e crianças. “É preciso garantir o direito da criança de uma educação sem castigo, sem maus tratos”, pontuou. Considerando que, pela falta de uma cultura de paz, temos hoje como consequência uma juventude muito violenta. “É preciso estabelecer limites para os educadores, como também criar referências positivas para as crianças”, declarou. O deputado federal Emiliano José também afirmou que o projeto apresenta uma lei pedagógica. “Não é uma lei punitiva. A surra e a palmada não são instrumentos pedagógicos”, disse.
Para deputada Kelly Magalhães (PCdoB/BA), presidenta da Comissão de Educação e Cultura da Assembleia Legistiva do Estado e parceira no Fórum de Debates, a Bahia e Assembleia ganham em contribuir para um debate importante para toda sociedade. “Podemos avançar para uma sociedade voltada para educação”, disse, comprometendo-se em levar o debate para o interior do estado.
Também participaram do Fórum o deputado estadual Jean Fabrício Falcão (PCdoB/BA); Renildo Barbosa, do Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente; Jurandir Santos Sales, coordenadora estadual Pastoral da Criança e Eleonora Ramos, coordenadora estadual da Rede Não Bata Eduque.